Trackday Drivers Legion AIA 2011: O resumo

Dia de trackday… raramente a “Estória” começa neste ponto.

No entanto, este importante ponto e outro que teremos oportunidade de falar mais á frente estarão talvez na base da enorme adesão, na contínua emoção e aperfeiçoamento, tanto das máquinas como dos condutores e acima de tudo no crescimento da paixão. Não são casos virgens os que vão só para ver… e mais tarde são participantes.

A verdade é que todos iniciam o relato de um trackday nos preparativos. Alguns a preparar o carro para o seu “setup” ideal, outros aproveitam para fazer o “upgrade” desejado e respectivo teste, outros ainda apenas a fazer uma manutenção mais cuidada.

Os dias, horas e minutos que antecedem um trackday são sempre de elevada azáfama, nervoso miudinho, muitas vezes dominado pela ansiedade, e uma elevada dose de adrenalina. Por vezes, são também palcos de desilusão, pois o carro não ficou concluido a tempo, ou impedimentos pessoais ou profissionais assim o obrigam.

Também a equipa da Drivers Legion vive os dias, horas e minutos que antecedem os trackdays com elevada agitação, nos ajustes finais com as entidades que fazem parte do dia, assim como com os participantes, vivendo muitas vezes as alegrias, expectativas e tristezas. Também nós gostamos que as coisas corram bem, não só no “durante”, mas também no “antes” e no “depois” até porque estamos no mesmo perimetro da pista. DE condutores, PARA condutores, ou se preferirem, DE participantes, PARA participantes.

E é verdadeiramente gratificante para quem se encontra “deste lado” ler os posts e replys em fóruns, redes sociais ou mesmo ouvir em conversas de café o “está quase!”, ou o “passei a noite toda ontem a arranjar o carro, mas está pronto!!”.

Com a matéria pronta, passa-se à parte complexa e totalmente distinta de cada participante, a preparação mental.

A alma, assim como o motor, exige inicialmente um tempo de funcionamento a “frio”, antes de passar a trabalhar a 100%, ou mesmo a 110%, vulgo “um bocadinho antes de partir”.

Aqui entramos nós e a obrigatoriedade do Briefing.

Sendo recorrente para uns, face à larga experiência ao longo dos anos, para outros é a primeira altura para descontrair, tentar acalmar os nervos e concentrar nos conselhos e instruções que são passadas.

A sala está cheia e o ambiente é de descontracção, com as piadas do costume entre pessoas, condutores e amigos que juntos percorrem estes quilómetros ao longo dos anos. Muitas vezes denota-se uma pequena ponta de inveja, talvez admiração, dos “newcomers” pela afinidade que se vive entre os “mais velhos”, talvez por perceberem que em redor de si está algo que só o tempo e a verdadeira união de gostos e interesses pode proporcionar. Não é algo que se ganha de um dia para o outro, é algo que cresce e se torna intrínseco em muitos de nós.

Findo o Briefing da “praxe”, seguem os rápidos preparativos antes de entrar em pista. O coração volta a pular para “rotações” perto do “redline”, mas desta vez no aspecto físico, seja para trocar rapidamente de pneus, retirar a tralha que vem no carro e não pode ir para pista, verificar fluidos e pressões e finalmente ligar camaras, GPS´s e afins.

Ao entrar no carro, já com a luz vermelha pronta a apagar e dar inicio á sessão, alguém se lembra: “Falta o capacete!!”

À saida das boxes encontra-se um elemento da equipa da Drivers Legion para confirmar que tudo está ok e ajudar quem porventura não está pronto a entrar. O inicio da primeira sessão é audível, com os carros praticamente todos em fila no paddock, com o som de um toque rápido mas decidido de acelerador a significar a ansiedade de muitos.

Luz verde, verificações feitas e deu-se inicio ao trackday! As primeiras 2 sessões são sempre as sessões mais concorridas por assim dizer, pela denominada “fome de pista” a sobressair ao invés da poupança de material… 40 participantes entram em pista, vários (aqueles que já se conhecem e têm por hábito estas andanças) a rodar juntos, outros a tentarem extrair o máximo sozinhos, numa corrida contra o tempo, concentrados,  focados na pista, na condução e em como passar e ser passado tentando perder o menor tempo possivel.

Nas boxes, é notória a actividade fotográfica, não só aquando dos carros em repouso, mas também nos diversos “fly-by´s”, assim como os comentários, naturais destas andanças, dos carros, dos condutores, da volta à pendura que fez e em que ficou espantado pelo detalhe da pista e da coragem em fazê-la no limite…

Após as sessões da manhã, existe um pequeno intervalo para reposição de fluidos… mas desta vez para os condutores. O almoço é no restaurante “Paddock” no AIA, com a respectiva pulseira a todos os que aderiram ao pacote de almoço da DL e respectivo desconto. Para alguns, o almoço é extendido à “máquina” pelo que na impossibilidade de reabastecer no Autódromo, é necessário uma viagem de cerca de 25 minutos a ir e vir até à estação de serviço da Via do Infante.

A tarde inicia-se com o Sol a pique, num calor invulgar para o final de Outubro, a lembrar o início do Verão. Mais descontraídos, os participantes preparam-se para a “digestão” em pista, numa altura em que alguns, também de “barriga cheia” de pista, começam a poupar as viaturas, fazendo menos tempo de sessão ou então poupando um pouco a mecânica, travões e pneus.

Contudo, subsistem os “duros”, como alguns lhes chamam, que acreditam que o dia, o momento, é para ser aproveitado até ao fim. Nos limites, percorrem mais de 320 kms em 7 sessões, numa prova de motivação e concentração enormes, assim como de confiança nas viaturas.

Por vezes “as feras” apresentam mazelas e queixam-se aos donos, que, num último acto de misericórdia, decidem terminar o dia, por forma a que o companheiro de viagem chegue são e salvo a casa.

Outras vezes apresentam-se máquina e condutor numa simbiose difícil de perceber, em que parece que quanto mais o condutor puxa, mais rápido, fluido e fácil tudo se torna, criando uma esfera de êxtase e realização só vivida por quem experimenta tal sensação.

No final, todos tiveram os seus momentos, as suas alegrias, as suas emoções e todos VIVERAM o dia. Findas as sessões, as boxes voltam a encher-se num ambiente de festa. As várias “peripécias” do dia são contadas com entusiasmo entre todos, partilhando experiências mas também emoções.

O jantar, no belíssimo “Five Lounge Restaurant”, foi o culminar de um dia memorável, numa pista fantástica, em boa companhia. O tempo de relaxe chegou, e no final do jantar, na varanda ao olhar para a pista, despida e escura, um sentimento de nostalgia invade-nos. O desejo que as luzes da pista se acendam e um portão se abra, para uma ultima “flying lap” é comentado por todos, mas no fundo todos sabem que não era esse o desejo.

E este é o 2º e ultimo ponto importante. No fim do dia, ao olhar para o ambiente que nos rodeia, sabemos que há algo de que fazemos parte, algo que nos liga e nos leva a estes eventos. Mais que querer voltar para a pista, tenta-se fotografar mentalmente o que acabamos de viver, tentando agarrar o que realmente todos nós ganhamos: as memórias, ou “estórias” como referimos inicialmente, que ficarão conosco para o resto das nossas vidas.

Até ao proximo trackday…

3 thoughts on “Trackday Drivers Legion AIA 2011: O resumo”

  • Vem tarde este comentário! Quero que seja entendido o que vou dizer como uma crítica construtiva(melhorar esta no interesse de todos concerteza ;) ), mas acho que apesar do traçado fenomenal e da boa organização, verifiquei que as pessoas estavam todas demasiado cegas com os carros e muito poucos para o saudável convívio que tanto ajuda a que estas experiências saibam melhor(eu tb sou 1 grande petrolhead ;) ). Talvez por timidez, talvez por outros motivos.. não sei, mas julgo que a organização poderia fazer algo para “enturmar” mais todos os participantes. Chamo também a atenção para pessoas que desobedeceram completamente às regras dadas no briefing fazendo trajectórias que punham em perigo quem andava mais devagar. Apesar de tudo isto, adorei e faço votos para que haja mais aventuras destas(tudo farei para lá estar). Um abraço ao amigo do clio 1.6i que tinha um espirito fenomenal dentro das nossas “amigáveis” disputas e também pelo espirito que tinha fora da pista. Gostei!!. É assim que deve ser sempre! Continuem o bom trabalho!

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